COP 30 Brasil Amazônia - Belém 2025

A COP30, realizada em Belém, colocou a Amazônia no centro das negociações climáticas e reforçou a necessidade de transformar compromissos em ações concretas. Veja os principais debates, avanços e desafios da conferência.

Publicado em: 08/12/2025

COP30 — 30ª Conferência das Partes da UNFCCC — realizada entre 10 e 21 de novembro de 2025, em Belém (PA), marcou um ponto decisivo nas negociações climáticas globais ao ocorrer, pela primeira vez, no centro da maior floresta tropical do planeta. O encontro reforçou a urgência de alinhar compromissos internacionais à implementação efetiva de ações de mitigação e adaptação, posicionando a Amazônia como elemento estratégico para o equilíbrio climático mundial.

A conferência teve como foco principal consolidar a “COP da Implementação”, direcionando esforços para acelerar a transição energética, fortalecer a bioeconomia amazônica e ampliar o financiamento climático destinado a países em desenvolvimento. Um dos principais avanços foi o acordo para triplicar os recursos internacionais voltados à adaptação, proteção de populações vulneráveis e iniciativas de desenvolvimento sustentável de baixa emissão.

Ao longo das negociações, temas como justiça climática, resiliência hídrica, saúde pública, proteção de comunidades tradicionais e participação social ganharam centralidade. A presença ativa de povos indígenas e representantes da sociedade civil ampliou o debate sobre governança florestal, conservação da biodiversidade e mecanismos de repartição justa de benefícios.

Apesar dos progressos, a COP30 também evidenciou desafios relevantes. O texto final do acordo não avançou na definição de uma transição definitiva para o abandono dos combustíveis fósseis, ponto defendido por diversos países, organizações ambientais e especialistas. A resistência de grandes produtores de petróleo e gás limitou a ambição das metas globais, mantendo lacunas importantes para alcançar o limite de 1,5 °C.

Mesmo diante dessas divergências, a COP30 deixa como legado a necessidade de transformar compromissos climáticos em ações mensuráveis, com políticas públicas mais robustas, cooperação internacional ampliada e mecanismos financeiros que sustentem a redução de emissões e o desenvolvimento sustentável. Para o Brasil e, especialmente, para a Amazônia, a conferência reforça o papel estratégico da região nas soluções climáticas globais e na construção de uma agenda ambiental mais justa e integrada.